Publicado na 3 de agosto de 2016

Sasquia Hizuru Obata, que adaptou o livro norte-americano “Construção Verde” (Cengage Learning) para a língua portuguesa, aponta as diferenças entre os dois tipos de construção.

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Tendência em todo o mundo, a construção ecologicamente correta – também conhecida como green building – promete revolucionar as cidades. A construção sustentável é o tema da obra Construção Verde, recém-lançada pela Cengage Learning, escrita por Abe Kruger e Carl Seville e com adaptação em português da engenheira civil Sasquia Hizuru Obata.

Confira abaixo 10 diferenças entre o green building e as construções comuns, de acordo com Obata.

1) O green building é bem mais complexo
Para ser considerado “verde”, um edifício deve ser avaliado ainda em sua fase de projeto em relação a variáveis que incluem condições e relações entre cada material, técnica, profissionais, pessoas e meios, para que haja uma resposta positiva e viável ao meio ambiente. Já uma construção comum é baseada em critérios aparentemente mais simples, como a simples viabilidade econômica e de atendimentos a mercado e negócios, explica Obata. “Sob esta abordagem econômica e de mercado, a construção verde é um conhecimento novo e a ser desenvolvido, assim como uma tecnologia inovadora e iniciante”, defende a especialista.

2) A construção verde é um sistema
De modo bem simplista, pode-se dizer que uma casa verde é um “elemento vivo”, e sob essa condição, deve ser alimentada, criada, tratada, vestida para dar conforto, respirar e preservar, ou seja, deve passar por atividades que são comuns às pessoas e animais.

3) A construção verde evolui com o tempo
Por ter um “ciclo de vida”, a construção verde é mutável e pode passar a utilizar, com o tempo, novas tecnologias sustentáveis. “Trata-se de um plano mais intenso e que busca reduzir ou garantir um impacto positivo e não somente compensatório sobre o meio ambiente. Para isso, o livro Construção Verde fornece princípios e práticas que conduzem à condição verde”, diz Obata.

4) Os resíduos não são jogados fora
De acordo com a engenheira, os resíduos de uma casa verde são tratados pelo “princípio dos Rs”: Reduzir, Reusar e Reciclar. Ela explica que o conceito pode parecer comum, mas a busca por esse objetivo exige empenho e a procura de resultados cada vez melhores. “De fato, o objetivo da construção verde é que não existam resíduos”, afirma.

5) As fundações são iguais, mas a técnica, não
As considerações estruturais e de estabilidade dos edifícios são iguais para construções verdes e convencionais. “O que se busca na construção verde são técnicas que tenham embarcadas as considerações de sustentabilidade descritas anteriormente: ciclo de vida, resíduos e abordagem sistêmica”, explica Obata.

6) As paredes não são escolhidas pelo custo
É comum que as casas e apartamentos convencionais tenham paredes construídas pelo menor valor possível, que não protegem contra o frio ou calor e sem isolamento acústico satisfatório. Nas construções verdes, o objetivo é outro. “São escolhidas as técnicas de construção que podem gerar maior desempenho quanto ao conforto, impermeabilidade, vedação, estanqueidade e acústica, e, além disso, que exerçam impactos positivos em todo o ciclo de vida”, diz Obata.

7) Os telhados da construção verde não existem apenas para proteção
Na construção convencional, o telhado protege contra os elementos e drena a água da chuva. O telhado do green building também, mas deve ser projetado para facilitar a instalação de equipamentos para geração de energia renovável e redução de consumo energético, como painéis solares. “Há ainda a consideração de que se for criado um espaço fechado, ele deve ser usado como sótão. E se for plano, deve poder receber jardins e gramados”, comenta a engenheira.

8) O paisagismo da construção verde privilegia espécies locais
Se a construção verde for localizada em uma região quente, dificilmente ela terá um pinheiro ou carvalho no quintal. Seu paisagismo deve contar com espécies de plantas locais ou adaptadas. “Não se trata de um jardim, mas de uma paisagem que produz impactos positivos nos vetores diversos e no verde”, diz Obata. Também entram no paisagismo verde o manejo do solo local e preservação da camada orgânica superficial, além da redução de consumo de água e seu reaproveitamento.

9) O consumo de água deve respeitar o ciclo da natureza
Na construção verde, há ênfase na redução do consumo de água, que é considerada um recurso reaproveitável. “A água está presente nas diversas etapas da construção. Ela fica incorporada nos materiais e no consumo para o uso e operação, assim como em todo o ciclo de vida da edificação”, comenta Obata.

10) A energia é renovável
A construção verde exige o uso de fontes renováveis de energia no projeto. “As fontes podem ser preferencialmente solar e eólica, mas há opções como a geotérmica e até mesmo a queima de gases por compostagem”, conclui Obata.