Publicado na 20 de outubro de 2016

Por Juan Maria Segura

Denomino ambiente enriquecido de aprendizagem (AEA) aquele que habilita, de maneira harmoniosa, a utilização de todos os sentidos na aquisição de informação com o objetivo específico de favorecer determinadas aprendizagens. Quando comparado ao formato de aula clássico e convencional, de concepção notadamente educare – que se baseia em um método de aprendizagem memorística dirigida à superação de avaliações padronizadas –, o AEA recria com maior fidelidade a exposição a uma experiência multissensorial, semelhante ao que ocorreria na ausência de qualquer sistema ou instituição. No AEA, o enriquecimento da aprendizagem provém de múltiplas fontes (leituras, estimulação motora, pensamento criativo, resolução de problemas, produções artísticas, ambientes físicos), produzindo uma maior utilização de ambos os hemisférios cerebrais, verificável cientificamente a partir da obtenção de cérebros com um córtex mais volumoso, maior quantidade de ramificações dos dendritos, mais prolongamentos de crescimento e maiores corpos celulares (Heavy, 1990, p. 47) (cit. Jensen, 2004, p. 50).

 

A presença da AEA, ao desfocar parte da representação artificial organizada discricionariamente dentro da sala de aula, aumenta a naturalidade com a qual o aluno exibe suas capacidades neurocognitivas, gerando um espaço para a expressão e participação da sensibilidade. Durante um processo de aprendizagem dessa natureza, produz-se uma convergência da racionalidade e da sensibilidade, pois os sistemas estão tão interconectados que os componentes químicos da emoção liberam-se quase simultaneamente com os da cognição. Consequentemente, ignorar os componentes emocionais no design de um ambiente ou experiência de aprendizagem equivale a privar os alunos de aprendizagens significativas (Caine e Cainc, 1994, cit. Jensen, 2004, p. 134).

 

Habilitar a expressão e participação espontânea das emoções no processo de aprendizagem permite dar atenção aos lugares desejados e não aos impostos, criando significados originais e próprios, e deixando registros na memória de uma forma particularmente rica e complexa (Le Doux, 1999). A sinfonia entre o cérebro racional e o cérebro emocional aumenta o nível de captura da informação, enriquece a criação de significados e potencializa o nível agregado de aprendizagem da pessoa e seu rendimento.

 

Os AEA representam o formato e o design espacial e conceitual para o qual o espaço da aula deve olhar e migrar. Nos AEA, a propensão de envolvimento do aluno para a aprendizagem é maior e ocorre com espontaneidade, reduzindo a necessidade de direcionamento e guia, e aumentando a disposição para a criação de aprendizagens significativas. As ameaças como design instrucional estimulador da aprendizagem por omissão não resultam em mecanismo eficaz, a partir do momento em que criam um ambiente que restringe a participação dos sentidos por meio da presença de tensão, estresse, ameaças e ansiedades (Jensen, p. 134). A eliminação das ameaças e criação de um clima positivo que gere confiança, curiosidade, cooperação, relação e autocontrole favorecem a dinâmica da aprendizagem e o desenvolvimento da capacidade de “aprender a aprender”.

 

A evidência científica da conveniência dos AEA se constitui no argumento central a favor de um aumento da presença de imagens como as da National Geographic Learning no processo de aprendizagem recriado pelas instituições educativas. Na jornada do desenvolvimento de exposições e expressões multissimbólicas do ambiente, que ativem consumos multissensoriais de informação, que redundem em experiências significativas traduzidas em aprendizagens pessoais fixadas por mais tempo na memória, as imagens se apresentam como um dos recursos com maior potencial.

 

É importante destacar a importância do significado na aprendizagem, não apenas como um ativador da curiosidade em uma projeção futura, mas também como um mecanismo de formação de conceitos, argumentos e reflexões mais sofisticadas, complexas e originais.

 

Considerar a imagem como um recurso superior de pensamento obriga o aprofundamento e aproximação da metainformação, não como um novo termo descritor do pensamento, mas como uma nova maneira de pensar e criar, que consiste em tomar um objeto – ou o conteúdo dessa metaforma – e interpretá-lo numa série de contextos distintos (Siler, Tood; 2000, p. 266).

 

As metaformas são significados novos, complexos e individuais que ativam a curiosidade e reforçam o envolvimento dos alunos no processo de aprendizagem. São novidades, pois emergem das conexões geradas entre a forma de perceber informações e fatos externos com experiências já registradas na memória de cada pessoa. São complexos, pois não estão limitados por nenhuma ordem ou mandato nem recorte arbitrariamente delimitado. E, por último, são individuais, pois ficam cercados de emoções, detalhes e simbologias só explicáveis a partir da natureza psicológica, emocional e neurocognitiva de cada indivíduo.

 

As metaformas são um caminho intermediário entre a análise acomodada, organizada e dosada proposta pela aula tradicional e a presença holística e espontânea das coisas num ambiente dinâmico e entrelaçado. O aluno cria metaformas constantemente, estabelecendo relações causais e associações, categorizando e experimentando condutas e formas de interação com o meio. Quando o sistema de ensino separa e organiza para simplificar, da mesma maneira delimita a prática natural do aluno para a elaboração das metaformas, produzindo apenas associações simples, falsamente monocausais, além de medidas conceituais frágeis. Pelo contrário, quando o sistema educativo utiliza recursos que tentam replicar parte da complexidade com a qual os elementos externos se apresentam na natureza, da mesma maneira se fortalece a capacidade do aluno para a elaboração de metaformas, produzindo associações complexas, relações multicausais e sofisticados marcos conceituais.

 

Valer-se de imagens e de sistemas simbólicos igualmente complexos favorece abordagens multissensoriais, desdobradas de significados novos e produção de metaformas. O indivíduo desenvolve a capacidade de ver mais além dos usos correntes que se fazem da informação, aplicando seus conhecimentos e experiências anteriores de maneiras novas, realizando conexões, descobertas e invenções (Jaesen, p. 268). O desdobramento da metainformação implica o uso da analogia, da metáfora, da hipótese, da figura, do símbolo, do jogo de palavras, do relato, da interpretação, da representação e muitos outros processos comparativos relacionais.

 

Está apresentada, portanto, a fundamentação da conveniência do desenvolvimento dos AEA, provocadores de abordagens multissensoriais para a aprendizagem e ativadores da curiosidade e implicação do aluno em seu próprio trajeto educativo. Assim, também fica estabelecido o benefício do desenvolvimento de abordagens multissimbólicas que maximizem a capacidade natural do indivíduo para a criação de metaformas e significados complexos. Finalmente, fica estabelecida a relevância do uso das imagens nestes AEA, não com o fim de transmitir ou transferir uma carga informativa particular (mais rica, complexa e memorizada mais eficazmente que um texto escrito), mas como disparadores de um processo valorativo e de significado absolutamente pessoal e intransferível.