Publicado na 4 de agosto de 2015

Para o geógrafo Fillipe Tamiozzo P. Torres, o atual cenário se deve à falta de investimento em infraestrutura

De fato, houve menos chuvas nos últimos dois anos do que nos anos anteriores. No entanto, sozinho, esse fato não explica as crises de água e energia pelas quais passam o Brasil hoje. “Se investimentos em infraestrutura para aumentar a oferta na mesma proporção em que se aumenta a demanda tivessem sido feitos, os efeitos deste período de seca seriam amenizados consideravelmente”, defende o geógrafo e Doutor em Ciência Florestal Fillipe Tamiozzo Pereira Torres, coautor dos livros “Introdução à Climatologia” e “Introdução à Hidrogeografia” (Cengage Learning, 2012 e 2013).

Secretário Municipal do Ambiente e Mobilidade Urbana da Prefeitura Municipal de Ubá (MG), Torres acredita que os mecanismos atuais não acompanharam o crescimento da demanda por água. “Tivemos, nos últimos dois anos, o estabelecimento de uma massa de ar quente e seca no país, fator importante para dificultar a penetração de umidade no interior, diminuindo consideravelmente o volume total precipitado. Contudo, se tivéssemos investido em infraestrutura – como diminuição de perdas no sistema, maior reservação, melhoria na tecnologia de manobras para transferência de água e energia de locais de maior oferta para lugares com déficit – talvez não estivéssemos passando por esta situação”, afirmou.

Por sua vez, a matriz energética brasileira é extremamente dependente dos recursos hídricos, porque as usinas hidrelétricas são responsáveis pela geração de mais de 75% da energia elétrica do País. “Mas mesmo com o déficit hídrico que estamos vivendo, volto a frisar que mais investimentos na infraestrutura amenizariam o problema. Como algumas bacias estão sob regimes pluviométricos diferentes, é possível, por meio de uma gestão integrada, obter uma maior disponibilidade de água e energia”, destacou.

Como solucionar as crises? Na opinião de Torres, as soluções para curto, médio e longo prazo se baseiam em campanhas educativas para evitar o desperdício e proteger os mananciais; maior fiscalização do cumprimento da legislação; maior interação entre o meio técnico e científico e a sociedade, produzindo estudos para melhorar a eficiência das técnicas adotadas em micro e macro escalas; e, sobretudo, modificação na política de investimentos em infraestrutura. “Não basta investir, é necessário ter muito bem definido como, quando e onde alocar este investimento”, ressaltou.