Publicado na 6 de julho de 2015

Como o senhor definiria o peso da educação para a Cengage Learning?

Para a Cengage Learning, a educação é algo para a vida toda e é necessário ensinar as pessoas a aprenderem. O estudante deve ser um co-criador, não apenas um mero receptador da informação. É por isso que nós estamos preocupados em oferecer modelos pelos quais estudantes e professores possam se aliar. Para isso, precisamos criar tecnologias e gerar conhecimento.

O professor, hoje, deve ser um curador de informação, que cria formas de ensino embasadas no mundo real. Não há mais uma ponte, nem alguém que possa dizer ao estudante aonde ir e como chegar lá. Quem fará este caminho é o próprio estudante.

Fizemos uma parceria com a National Geografic porque há a figura do explorador, que representa o estudante do século XXI. Também nos associamos ao TedTalks, que faz curadoria de conteúdo ao qual todos deveriam ter acesso. É por meio das tecnologias e de uma visão mais inovadora que romperemos com os paradigmas da educação.

Quais são as principais inovações em educação que o Brasil deveria adotar, em sua opinião?

Acho que o Brasil não está muito diferente do mundo, nem da América Latina. Até mesmo os países mais desenvolvidos buscam adequações, como Alemanha e Finlândia. Todos veem a necessidade de se transformar. Uma das considerações que deveriam ser feitas é a possibilidade de estabelecer parcerias público-privadas para trazer inovação às salas de aula.

A segunda é criar espaços de experimentação. Não há um modelo único, cada instituição deve elaborar o seu e, para isso, é preciso experimentar em espaços que consigam absorver robótica, novas tecnologias e o engajamento de professores e alunos. As aulas não podem ser tão engessadas, pois o novo conhecimento já é gerado pela autonomia.

Esses espaços precisam gerenciar o caos e, dessa forma, também é necessário que o professor se transforme. O papel do educador é integrar os estudantes naquela experiência. É um ciclo permanente de aplicação do conhecimento por meio da curadoria do conteúdo. Já existem escolas sem programação rígida, nas quais a informação é passada de outras formas. É aí que entra a tecnologia, como facilitadora dessa transformação, para medir, levar experiências para dentro da aula e, desta forma, criar conexão com o mundo real. A discussão dos modelos está transformando o  mundo. O Brasil tem a oportunidade de se adequar rapidamente à economia do conhecimento.

Agora, o Brasil tem uma dificuldade com o inglês, pois muito do conteúdo está em inglês.  A importância do ensino dessa língua aqui é maior do que em outros países, que já avançaram nesse sentido, então investir no idioma deveria ser prioridade.

Como a Cengage irá contribuir para fornecer soluções tecnológicas para a educação no Brasil, nos próximos anos?

Somos uma empresa de educação com características diferentes. Queremos complementar capacidades, isto é, trazer conteúdos e tecnologias para ajudar instituições a criarem seu próprio método de forma colaborativa. É preciso entender o estudante, o professor, e trabalharmos juntos para desenvolver experiências personalizadas.

Como os educadores devem se preparar para lidar com a tecnologia em sala de aula?

Em primeiro lugar, o curador de informação é diferente do professor, porque não é alguém que sabe tudo e apenas transmite informação. Ele é uma figura que entende a educação de uma forma não linear. O aluno aprende algo novo, que se conecta com outro algo novo, então as informações se retroalimentam. A otimização deste processo requer experimentação em laboratório, pois é necessário construir este método e suas conexões.

A transformação da educação é algo bem mais profundo do que dar um tablet para o estudante. A educação formal e a informal precisam convergir, deve-se aprender a qualquer hora e em qualquer local. É necessário criar experiências diretas. Este é o momento no qual definimos o futuro da educação. A aprendizagem pode ocorrer de várias maneiras.

Como os negócios da Cengage Learning no Brasil evoluem ao longo do tempo, em sua opinião?

No Brasil, temos muita qualidade e menos penetração, o que nos cria uma oportunidade de crescimento acelerada. Temos uma relação de parceria com os clientes, mas para conseguirmos impacto, dependemos da transformação deles.

Para transformar a mentalidade do cliente, é necessário que ele tenha infraestrutura. Sem isso, não há como integrar tecnologia, formação de educadores e engajamento dos

estudantes. Esta é uma estrutura básica que levaria o mercado à maturidade. Não é só dar tablets pra todo mundo, precisamos criar a experiência da aprendizagem por meio da tecnologia.

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