Publicado na 27 de outubro de 2016

Professora titular da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) explica que um dos caminhos para superar a crise dos métodos de ensino é pensar o estudante como o ponto de partida e de chegada do processo educacional

Manolita Correia Lima, professora titular da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e coordenadora do Núcleo de Práticas Docentes, da Academia Nacional de Professores da Graduação e do Núcleo de Pesquisas e Publicações da mesma instituição, palestrou no Encontro Nacional de Docentes em Gestão Empresarial (ENDGE) promovido pela Fundação Vanzolini. Autora do livro Estágio Supervisionado e Trabalho de Conclusão de Curso, publicado pela Cengage Learning, a docente falou sobre possíveis soluções para a crise do sistema educacional, consequência da insatisfação com as metodologias tradicionais de ensino.

 

Segundo Manolita, uma saída para os professores é utilizar as Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem. Dessa forma, os alunos ficam mais motivados a estudar. “A relação entre titulação e empregabilidade no Brasil já começa a ficar menos clara, seguindo o caminho de países desenvolvidos. Ter um diploma, hoje, não é garantia de estabilidade financeira. Precisamos, como educadores, transformar a educação para atender a sociedade”, explica. Para isso, é necessário rever todo o processo de ensino-aprendizagem com um foco maior no estudante e, em paralelo, os docentes devem investir mais em formação pedagógica e em gestão acadêmica.

 

O objetivo das Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem é tornar a experiência em sala de aula pessoal e significativa, por meio da construção do conhecimento que vem da noção de dúvida. Para isso, é necessário contemplar no planejamento pedagógico os tipos de problemas que os estudantes querem resolver e, assim, traçar um novo pacto entre alunos e professores. “Em universidades fora do País, há circularidade do conhecimento, com uma aula magistral pela manhã, ministrada por um grande autor, seguida de pequenos grupos de discussão monitorados. Ninguém se esquece de um caso vivenciado, é muito diferente de memorizar um conteúdo e entregá-lo na avaliação”, explica a professora.

 

As novas metodologias dependem da ação, da reflexão e da experiência. Este ciclo é possível quando o estudante se reconhece como sujeito do processo de aprendizagem, não mais espectador. O livro-texto deixa de ser o ponto de chegada e a conclusão, pois, do contrário, a sala de aula perde o sentido. Outro aspecto importante abordado por Manolita é a necessidade de o professor instrumentalizar as tecnologias que os nativos digitais já dominam, e utilizá-las a favor da educação. “Vivemos na economia do conhecimento e na ciberdemocracia, ou seja, ensinamos o outro a aprender por meio do questionamento, organização e seleção de ideias, para depois fazer a interpretação. Em uma sociedade cada vez mais calcada em trabalho e não emprego, é fundamental que os educadores entendam seus novos objetivos, para não se tornarem obsoletos”, finaliza.