Publicado na 24 de fevereiro de 2016

FERNANDO VALENZUELA, CEO DA NATIONAL GEOGRAPHIC LEARNING / CENGAGE LEARNING PARA A AMÉRICA LATINA, DIZ QUE A EMPRESA ESTÁ FOCADA NA INTEGRAÇÃO DA TECNOLOGIA COM A EDUCAÇÃO E APOIA EDUPRENEURS, OS EMPREENDEDORES DA EDUCAÇÃO.

por: Aurea Lopes


A Cengage Learning, empresa de desenvolvimento de conteúdos, tecnologias e serviços educacionais, atua a partir do conceito de integração da tecnologia com a educação. E isso significa muito mais do que substituir antigas ferramentas analógicas por dispositivos digitais na sala de aula, diz Fernando Valenzuela, CEO da National Geographic Learning / Cengage Learning para a América Latina. Nesta entrevista, ele explica qual a mudança necessária no modelo pedagógico para que se promovam as habilidades dos estudantes para o século 21 e ressalta a importância do empreendedorismo na área educacional.

Qual o foco da Cengage Learning e sua atuação no mercado educacional?
Fernando Valenzuela – A Cengage é uma companhia internacional tradicional no desenvolvimento de conteúdos, tecnologias e serviços educacionais voltados a professores, bibliotecários e profissionais da educação de todos os níveis. É uma empresa que tem procurado fazer a integração de tecnologia com pedagogia. Há cinco anos, a companhia foi redesenhada com esse foco. E adquiriu muitas plataformas para criar esse conceito. Procuramos trazer pessoas que tinham experiência na área de tecnologia e juntar com pessoas que tinham experiência na área de ensino porque sabíamos que integrar tecnologia na aula é um desafio de mudança, e que precisa de um balanço.

Como fizeram essa combinação entre tecnologia e educação?
Valenzuela – O estudante do século 21 deve ter uma série de capacidades diferentes, que não são bem ensinadas hoje. Então nós procuramos alguma coisa que já existia para tomar como modelo. Depois de dois anos de estudo, fechamos o primeiro modelo, o Explorers, da National Geographic. Esse programa tem muito dos componentes do estudante do século 21 – o aluno trabalha independente, tem a missão de cuidar do planeta, utiliza tecnologia, utiliza equipes multidisciplinares, cria conteúdos, e conteúdos com entretenimento. Depois disso, fizemos parcerias também com as conferências TED Talks. Ou seja, foi olhar as coisas que a gente já conhecia e agora fazem parte da educação. Porque a mudança não depende da tecnologia na sala, depende dos professores, e dos alunos juntos. O professor tem que ser um curador, um guia. E o aluno já está engajado com a tecnologia, tem algum nível de conhecimento da tecnologia. Então a educação tem que começar a partir do mundo dele, para depois trazê-lo ao mundo da curadoria acadêmica.

Ou seja, apenas adotar um dispositivo tecnológico não garante bom resultado?
Valenzuela – Exatamente. E isso está comprovado. Um recente relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) concluiu que você pode ter acesso, ferramenta, professor bem formado, mas não necessariamente mudar a aprendizagem por isso. Agora, se você colocar o professor como curador… aí você muda. E nós na Cengage trabalhamos com curadores. Curador de museu, curador da revista National Geographic, curador dos TED Talks. O problema, antes, era que a tecnologia vinha como um pacote imposto para substituir o que já existe. Você dava aula assim, agora tem de dar aula assado. E não é assim. A mudança é bem maior. Normalmente a educação está muito baseada nas provas, nos diplomas, nos títulos, no final do caminho. Nós estamos promovendo a mudança na trilha. O caminho é mais importante. Se o estudante está participando, engajado, vai ter um caminho com mais qualidade.

O problema do acesso, da má qualidade de conexão nas escolas, é o maior desafio ao desenvolvimento da tecnologia educacional?
Valenzuela – A questão do acesso é crucial. Existem tecnologias que precisam de disponibilidade de rede, o que pode se tornar uma limitação. Mas existem outras tecnologias que permitem trabalhar online e off-line. E outras totalmente off-line. Não dá para esperar que todas as escolas tenham o melhor acesso. É importante começar logo. Até porque as escolas com 100% de acesso banda larga e dispositivos disponíveis não melhoraram a educação. Não é resposta dar acesso. O impedimento maior, na minha opinião, é a mudança de postura.

Como estão os investimentos em desenvolvimento de tecnologia educacional?
Valenzuela –  A educação nos últimos cinco anos tem sido maior foco de investimento no mundo. Existe um movimento que já chegou ao Brasil, que são os edupreneurs – os empreendedores da educação. Fazer empreendedorismo em educação é muito mais impactante. A Cengage está ajudando a descobrir os jovens empreendedores dessa área. Porque o jovem só tem experiencia na educação. Então, é bem mais fácil para um jovem ter uma ideia de como mudar uma escola do que de como mudar um restaurante, uma fábrica…. temos que aproveitar a experiência e a criatividade e as insatisfações desses jovens com a educação para que eles se tornem os inovadores da educação.

 

Fonte: http://www.arede.inf.br/o-professor-hoje-tem-de-ser-um-curador/