Publicado na 3 de junho de 2011

    O interesse pela questão da percepção tem se intensificado desde o século XIX, com as alterações que o mundo moderno vem, cada vez mais, imprimindo sobre as faculdades perceptivas e cognitivas humanas. Coadjuvantes fundamentais dessas alterações são as mídias tecno-visuais, tecno-sonoras, corpo-técnicas, desde a fotografia e do gramofone até as complexas urdiduras dos fluxos das linguagens hipermidiáticas que povoam as redes digitais, fixas e móveis, de comunicação. Isso não escapou à atenção de filósofos, antropólogos, teóricos da cultura, psicólogos etc. As três teorias da percepção que compõem este livro – a teoria fenomenológica de Merleau-Ponty, a teoria ecológica de Gibson e a teoria semiótica de Peirce – quando vistas em conjunto, criam um bom equilíbrio entre uma teoria fortemente calcada em reflexões filosóficas, uma teoria baseada em pesquisas empíricas e uma teoria semiótica voltada para a análise dos movimentos lógicos da dinâmica perceptiva. Este livro defende que essas teorias são complementares. Cada uma delas explora uma das facetas da percepção: os interstícios do corpo com o mundo sob um prisma fenomenológico, a fundação de uma ecologia da percepção – o mundo lá fora, que se oferta à percepção, tem peculiaridades que precisam ser exploradas -, por fim, a fina urdidura dos processos sensórios e mentais constitui-se no terceiro membro do complexo tronco da percepção. Em suma, confrontam-se aqui três gigantes da reflexão sobre esse tema fascinante e absorvente – a percepção -, atraente justo porque nos coloca no coração que pulsa em nosso estar no mundo. A autora é  Lucia Santaella. 

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