Publicado na 27 de setembro de 2014

Enquanto que as revoluções políticas em geral são associadas a situações de violência e revolta social, e ficam marcadas na história e no coletivo social com lugares e datas concretas (a tomada da Bastilha na França, 4 de julho nos Estados Unidos  e 25 de maio argentino), não acontece o mesmo com as revoluções tecnológicas. No geral, elas vão acontecendo por meios de feitos e descobertas isoladas, administrados em laboratórios, fábricas, aulas ou oficinas em lugares dispersos. Em silêncio para a maioria da sociedade, geralmente de costas às práticas aceitas de seus tempos, e sem nenhuma coordenação centralizada nem outra motivação que não seja liberar o potencial criativo e inovador do espírito humano, as inovações tecnológicas são organizadas para irem se aproximando, timidamente, com esforço e ante o olhar cético e desinteressado de quase toda a sociedade.

Nuca fica claro em suas origens, nem para o inventor, nem para seus usuários ou beneficiários em potencial, nem para toda a sociedade, se estas invenções resultarão ou não em uma obra importante de um todo mais amplo em emergência, ao ponto de mudar tudo. Isto nos obriga a ter cautela no momento da suposta falta de precisão ou visão mostrada no passado por importantes gerentes a frente da emergência tecnológicas que, anos mais tarde, revolucionarão a sociedade.

“O telefone tem problemas demais para que possa ser considerado como um meio de comunicação. Não tem nenhum valor para nós”, lia-se em um memorando interno da Western Union em 1876, enquanto que em 1895, o Lord Kelvin sentenciava “as máquinas voadoras mais pesadas que o ar são impossíveis”. Mais tarde escutamos que “a televisão não funcionará em nenhum mercado após os primeiros seis meses. As pessoas ficarão entediadas de olhar todas as noites para a mesma caixa de madeira”, disse, em 1946, Daryil Zanuck, Diretor da 20th Century Fox, vinte anos depois de ter ouvido o próprio Presidente da Warner Brothers, Harry Warner, perguntar-se “quem diabos quer ouvir os atores falarem?”.  Por sua vez, Thomas Watson, presidente mundial da IBM, sustentava em 1943 que “há um mercado para, no máximo, uns cinco computadores”, enquanto que em 1977, Ken Olsen, fundador e presidente da Digital Equipment Corporation, afirmava que “não existe razão para a qual uma pessoa possa querer ter um computador em casa”. Durante 2012, foram vendidos cerca de novecentos e catorze mil computadores e mais de três milhões de smartphones, por dia!

É genuíno perguntar-se: Em que mundo viviam estas pessoas? Por acaso não tinham informações, inteligência, assessores ou elementos para que sequer antecipassem o mundo em formação que estava sendo formado debaixo de seus pés e na frente de seus narizes? Pelo visto, nem tanto. Ou sim, mas não era suficiente. Eles em seu tempo, talvez como muitos de nós mesmos agora, estavam bem enraizados no paradigma de sua época, absorvidos pela sociedade e estado das coisas com que deviam lidar. Enquanto isso, a silenciosa revolução sem guerra da tecnologia os tirava do jogo.

Mudar nunca foi uma tarefa simples para o homem, e imaginar a irrupção das invenções, artefatos, ideias ou movimentos destrutivos e desestabilizadores sempre foi um campo de grande tensão entre o juízo e o desejo. Ainda ecoa na minha cabeça a frase de uma colega: “Não tenho um perfil no Facebook e também não tenho telefone celular!”, disse com orgulho no final de 2011, convencida de que a sua forma de resistência à tecnologia deu um verniz de autenticidade e ligação genuína com o classicismo e nobre da profissão de professora. Por dizer e agir dessa forma, sentia que era genuinamente mais professora. E enquanto isso, a revolução fazia mais uma vítima.

Para o sistema educativo, no atual contexto histórico de mudança e transformação, estar em trânsito a partir da sociedade industrial para a sociedade da cultura digital significa um chamado urgente a se reorganizar e repensar a partir de novas práticas, realidades e sujeitos de aprendizagem. Significa repensar o sistema e suas instituições e formatos para um mundo onde a informação é abundante, de boa e má qualidade. Significa assistir aulas e poder imaginá-las como ambientes enriquecidos de aprendizagem, abertos a experiências multissensoriais.

O Programa Explora, que a Cengage Learning está promovendo por meio da LINNEA no Museu La Rodadora Espacio Interactivo, na Cidade Juárez, México, deve ser compreendido a partir deste chamado à ação e à inovação.
Se estar informado era a ordem fundamental para prosperar no território anterior, estar conectado impõe o novo. Não se supõe que estar conectado é ter um tablet ou smartphone, mas estar capacitado com o necessário para acessar o mundo da informação abundante de livre acesso que circula na internet, e ter capacidade de discernimento para separar a informação boa da ruim, fontes relevantes sobre as que não são, conteúdo editorial curado daquele que aparece entremeado. Assim, estar em trânsito significa deixar de estar informado e passar a estar em conhecimento.

Na educação, não estamos em guerra, graças a Deus e, por isso, os canhões estão silenciosos. Mas estamos em uma revolução profunda, o que nos obriga a nos armar de ideias, dinâmicas e práticas que nos capacitem para iluminar o melhor tipo de sistema que melhor nos convenha relembrar. Ninguém o fará por nós e, provavelmente, ninguém fará melhor que nós mesmos. Ânimo!
Por Juan Maria Segura para Cengage Learning América Latina
Setembro de 2014