Publicado na 25 de abril de 2014

A educação sempre se valeu da tecnologia para melhorar suas conquistas, e assim transcender seus atores e instituições. A vinculação histórica entre educação e tecnologia permite às novas gerações assimilar saberes e adquirir normas de conduta e modos de ser.

A escola é uma tecnologia por si mesma. Representa um sistema científico, concebido e projetado em determinado contexto para permitir a adaptação ao meio de todos os alunos. Por meio de recortes curriculares, sistemas etários e escolha de didáticas de ensino, propõe um mecanismo de transmissão de informação, saberes, valores e modos de vida. A disposição das carteiras na sala de aula, a utilização do giz e da lousa, ou de lápis e papel são elementos constitutivos de um sistema científico concreto, desenvolvido e colocado em funcionamento com um fim específico. A escola como tecnologia cumpre uma função de grande transcendência na sociedade, colaborando com a integração social, transmitindo certos valores em detrimento de outros e preparando as crianças para que se desenvolvam com comodidade e responsabilidade na vida adulta.

Ou seja, a relação da educação com a tecnologia não é uma característica particular nem muito menos exclusiva de nossos tempos, já que sempre existiu, sendo a escola uma materialização visível dessa associação.

As TICs (tecnologias da informação e comunicações) são saberes científicos particulares, que evoluem com o tempo. Representam um conjunto de tecnologias convergentes concebidas e projetadas para transmitir, utilizar e intercambiar informação. Os computadores, telefones celulares, games online, lousas interativas e televisores digitais são atualmente os artefatos mais visíveis das TICs na vida cotidiana. Para trás vão ficando o telégrafo, o fax, a TV aberta, tecnologia com limitada capacidade de transmissão e quase nula capacidade de intercâmbio de informação.

No âmbito educativo, há alguns anos assistimos à introdução, lenta e progressiva, mas sem pausa, das TICs nas escolas. Primeiro foram os PCs, nas salas dos professores, salas da direção ou dentro da sala de aula, ao lado da mesa do professor, utilizados com retroprojetores. Logo chegou a conectividade à internet e mais tarde a possibilidade de acesso à rede sem fio. Em seguida apareceram os notebooks, enquanto em paralelo se massificava o uso do telefone celular. Por último, ao menos até o momento, apareceram os netbooks, os smartphones, as lousas interativas e os tablets. Há que destacar que esta inundação de TICs na escola não ocorreu de forma igual em todo o mundo. Há países e regiões do mundo que ainda viveram pouco ou nada deste fenômeno. Inclusive dentro de um mesmo país, estado ou região, os avanços são desiguais. Contudo, a tendência é firme numa única direção: as TICs estão cada vez mais dentro da escola.

A geração de um ambiente de saturação digital dentro da sala de aula não se insere nas práticas habituais e históricas de incorporação gradual de tecnologias que a educação vinha realizando, mas que representa uma mudança transcendental e paradigmática para a escola: rompe o sistema com o qual a informação e os saberes são recortados, organizados e administrados dentro do processo de ensino.

A elaboração de um currículo ou a escolha de um livro didático são recortes da realidade e, como tal, são arbitrários. Essas tarefas, durante décadas, representaram um elemento fundamental dentro da tecnologia representada pela escola. Em contextos de informação escassa e de difícil acesso, esta tarefa era imprescindível, neurálgica. Esse poder arbitrário, tão necessário e útil em contextos de informação escassa, atualmente se debilitou. No novo ambiente de aprendizagem, as TICs facilitam as possibilidades de acesso a qualquer tipo de informação, em tempo real e sem custo. Isso não é nem bom nem ruim, é um dado da realidade. Porém um dado que tem implicações práticas claras: a voz dos alunos conta, eles agora têm mais poder.

Portanto, não é o mundo que ingressou na sala de aula, mas os estudantes que têm saído para o mundo ainda que sentados dentro da sala. Abandonaram a escola, ainda que assistam às aulas. Essa nova ordem de coisas obriga repensar a escola como a conhecemos.

O desafio, então, para os pensadores e executores da educação não é melhorar a escola atual, ou aumentá-la, mas refunda-la. O século XXI requer uma nova escola, dotada de flexibilização de abordagens necessária para tirar proveito de recursos tão valiosos como a National Geographic Virtual Library, uma base de dados online criada pela Cengage Learning que integra todo o conteúdo produzido pelas publicações desde o ano de 1988 até hoje, indexado e de fácil navegabilidade e acesso.

Se aceitamos que a escola é um sistema científico, concebido e projetado em determinado contexto para permitir a adaptação ao meio de todos os seus alunos, então devemos desvincular a escola da sociedade industrial, não sem antes agradecer a enorme colaboração que fez à humanidade. Em substituição, fundemos uma nova escola, a da sociedade da informação, das bases de dados online e recursos digitais de alta qualidade, a que melhor nos ajude a dar aos alunos as competências e aptidões necessárias para a nova ordem de coisas.

Por Juan Maria Segura