Publicado na 5 de Maio de 2016

Por Juan Maria Segura


Embora as revoluções políticas em geral estejam associadas a situações de violência e revolta social e fiquem marcadas na história e no coletivo social com lugares e datas certas (por exemplo, a queda da Bastilha na França, o 4 de julho nos Estados Unidos, o 25 de maio argentino), não acontece o mesmo com as revoluções tecnológicas.

Estas, em geral, ocorrem por meio de feitos e descobrimentos isolados, gestados em laboratórios, fábricas, salas de aula ou escritórios em locais dispersos. Em silêncio para a maioria da sociedade, normalmente de costas para as práticas aceitas de sua época e sem nenhuma coordenação centralizada nem outra motivação se não liberar o potencial criativo e inovador do espírito humano, as inovações tecnológicas conseguem, timidamente, espreitar-se com esforço e sob o olhar cético e desinteressado de quase toda a sociedade.

Nunca fica claro em suas origens – nem para o inventor, nem para seus potenciais usuários ou beneficiados, nem para a sociedade – se essas invenções resultarão ou não em uma peça importante de um todo mais amplo, a ponto de mudar esse cenário. Isto nos obriga a ser cautelosos na hora de julgar a suposta falta de precisão ou visão mostrada no passado por importantes gestores frente à emergência de tecnologias que, anos mais tarde, revolucionariam a sociedade.

“O telefone tem problemas demais para que seja considerado seriamente um meio de comunicação. Não tem nenhum valor para nós”, lia-se um memorando interno da Western Union em 1879, ao mesmo tempo que, em 1895, Lord Kelvin sentenciava: “As máquinas voadoras mais pesadas que o ar são impossíveis”. Logo escutamos que “a televisão não funcionará em nenhum mercado depois de seis meses. As pessoas se aborrecerão de olhar todas as noites a mesma caixa de madeira”, dito em 1946 por Daryil Zanuck, diretor da 20th Century Fox, e 20 anos depois de já termos escutado o presidente da Warner Brothers, Harry Warner, perguntar-se: “Quem diabos quer ouvir os atores falarem?”. Por sua vez, Thomas Watson, presidente mundial da IBM, dizia, em 1943, que “existe um mercado para, quando muito, cinco computadores”, sendo que, em 1977, Ken Olsen, fundador e presidente da Digital Equipment Corporation, afirmava que “não existe nenhuma razão pela qual uma pessoa poderia querer ter um computador em sua casa”. Durante 2012, venderam-se cerca de 914 mil computadores e mais de três milhões de smartphones… por dia!

É genuíno se perguntar: em que mundo viviam essas pessoas? Por acaso não teriam informação, inteligência, assessores ou elementos para sequer antecipar o mundo em formação que se estava gestando debaixo de seus pés e diante de seus narizes? Pelo visto, nem tanto. Ou sim, mas não era suficiente. Eles em seu tempo, quiçá como muitos de nós agora, estavam bem enraizados no paradigma de sua época, extasiados pela sociedade e o estado das coisas que deviam lutar. Enquanto isso, a silenciosa revolução sem guerra da tecnologia estava tirando-os do jogo.

Mudar nunca foi uma tarefa fácil para o homem, e imaginar a irrupção de invenções, artefatos, ideias ou movimentos disruptivos e desestabilizadores sempre foi um campo de grande tensão entre o juízo e o desejo. A frase de uma colega ainda ressoa na minha cabeça: “Não apenas eu não tenho um perfil no Facebook como tampouco tenho telefone celular”, disse com orgulho no final de 2011, convencida de que sua forma de resistência à tecnologia lhe dava um verniz de autenticidade e ligação genuína com o classicismo e a nobreza da profissão docente. Enquanto isso, a revolução fez mais uma vítima.

Para o sistema educativo, no atual contexto histórico de mudança e transformação, estar em trânsito desde a sociedade industrial até a sociedade da cultura digital significa um chamado urgente a se reorganizar e repensar a partir de novas práticas, realidades e sujeitos de aprendizagem. Significa repensar o sistema, suas instituições e formatos para um mundo onde abunda a informação, de boa e má qualidade. Significa observar aulas e poder imaginá-las como ambientes de aprendizagem enriquecidos, abertos a experimentações multissensoriais. O Programa Explora, que a Cengage Learning está impulsionando por meio do LINNEA no Museu La Rodadora Espacio Interactivo, na Ciudad Juárez (México), deve ser compreendido como este chamado à ação e à inovação.

Se estar informado era o slogan básico para prosperar no território anterior, estar conectado se impõe no novo. Estar conectado não supõe ter um tablet ou um smartphone, mas estar habilitado com as habilidades necessárias para fazer login no mundo da informação abundante de livre acesso que circula na rede; e ter capacidade de discernimento para separar a boa da má informação, fontes relevantes sobre aquelas que não o são, conteúdo editorial curado versus o que parece misturado. Desta maneira, estar em trânsito significa deixar de estar informado e passar a estar em conhecimento.

Na educação, não estamos em guerra – ainda bem! –, e por isso, nenhuma bala passa zunindo. Mas estamos profundamente revolucionados, e isso nos obriga a nos armarmos de ideias, dinâmicas e práticas que nos habilitem a fazer luz sobre o tipo de sistema que melhor convém acordar. Ninguém fará isto por nós e, provavelmente, ninguém o fará melhor do que nós. Ânimo!