Publicado na 1 de fevereiro de 2016

A língua inglesa é, cada vez mais, elemento fundamental para determinar a aptidão de uma pessoa para o trabalho


Falar um segundo idioma, especialmente uma língua valorizada pelo comércio e pela diplomacia internacional, historicamente, foi símbolo de status social e econômico. Por muitos anos, o francês foi a língua oficial da cultura, da erudição, da diplomacia e das artes. Tanto que até mesmo aristocratas russos conversavam entre si em francês, como documentou Tolstoi e tantos outros escritores. Mas muita coisa mudou desde o declínio da França.

Na maioria dos países, o inglês substituiu o papel que o francês desempenhou e é sinônimo de boa educação e status. A influência do idioma começou a crescer, em um primeiro momento, com o Império Britânico e, mais recentemente, com a expansão econômica dos Estados Unidos no pós-guerra. No entanto, o boom da língua inglesa veio somente nos últimos 20 anos, com a globalização, com a intensificação da urbanização e com a internet.

A proficiência em inglês já não é mais tanto um sinal de status da elite e tão pouco está, necessariamente, vinculada aos Estados Unidos ou ao Reino Unido. Trabalhadores do mundo todo sentem a necessidade de falar inglês como necessidade básica de seu ofício. “Atualmente, saber inglês em qualquer área profissional é algo básico, inquestionável. Não se trata mais de um elemento diferenciador ou de destaque na competência profissional. O conhecimento de outras línguas, como espanhol, alemão ou mandarim, por exemplo, tem assumido essa função, e nesse sentido, vivemos um contexto bem favorável para a aprendizagem de línguas estrangeiras em geral, o que é muito bom”, diz Adriana Weigel, autora do livro “Ensino de Língua Inglesa”, publicado pela Cengage Learning.

Essa obrigação, porém, gera uma relação direta entre a proficiência e a renda per capita. Isso porque falar inglês, muitas vezes, proporciona empregos, cargos e salários melhores. Na Índia, por exemplo, funcionários que falam inglês fluente têm salários, em média, 34% maiores do que quem não fala. Mesmo aqueles que falam pouco ganham 13% a mais.

Já que o conhecimento da língua inglesa é algo inquestionável ao se falar em empregabilidade, Adriana acredita ser oportuno refletir sobre quais conhecimentos e habilidades são desejáveis para determinadas atividades e necessidades desse profissional. “Será que todos precisam ser fluentes na língua inglesa? Fluente em que sentido? O que isso significa? E isso não é tão difícil de alcançar? Nem todos os profissionais precisarão saber falar o inglês com uma proficiência avançada”, argumenta.

Para a educadora, o conhecimento da língua em suas diferentes habilidades linguísticas deverão ser contextualizadas dentro da área de trabalho do profissional, sejam elas situações comunicativas em que o profissional utilizará a língua inglesa, bem como vocabulário ou jargão pertinente à área de atuação. “Pensar sobre essa questão ajuda o aluno e o professor a traçarem metas quanto à aprendizagem do inglês, de forma mais realista e com mais tranquilidade, escolhendo as melhores estratégias de aprendizagem e otimizando a relação tempo de estudo e resultados”, finaliza.