Publicado na 25 de setembro de 2015

Sem participação de toda a sociedade, caminhamos rumo a um mundo não mais propício para a vida humana, acredita André Luiz Pereira, autor do livro Logística Reversa e Sustentabilidade, publicado pela Cengage Learning.

Aprovada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei 12.305, foi discutida por quase 20 anos no Congresso Nacional. Desde então, o Brasil ainda não conseguiu acabar com os lixões e nem avançar em vários pontos. É isso o que acredita o administrador André Luiz Pereira, coautor do livro Logística Reversa e Sustentabilidade, publicado pela Cengage Learning.

A concretização da PNRS deve ter quatro pilares: a adesão das empresas, seja por pressão de consumidores mais conscientes ou para atender a requisitos legais; a fiscalização do governo para o cumprimento dos planejamentos e proposição de medidas de conscientização (3R: Reduzir-Reusar-Reciclar); a participação da população, seja na hora de comprar ou de descartar; e a existência de organizações e de profissionais para as etapas de coleta e reciclagem.

“No entanto, muitos municípios não fizeram os diagnósticos de geração de resíduos e, em muitos lugares, a questão ambiental é discussão acessória – vem depois de pautas consideradas mais importantes. Todos os níveis de governo apresentam problemas. Não raro os recursos financeiros municipais são destinados apenas ao serviço de coleta domiciliar de resíduos, findando-se nisso. Faltam programas de educação ambiental, efetivação dos planos de gerenciamento de resíduos, fiscalização e penas eficientes, entre vários problemas”, aponta Pereira, que é doutorando em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Escola de Engenharia da UFMG e pela Technische Universität München na Alemanha.

De acordo com o especialista, os planos de gerenciamento de resíduos demoram a ser implantados e a rotina de fiscalização é insuficiente para averiguar todo o território nacional. Do lado da população, a triagem do próprio lixo e a redução do volume de resíduos não são amplamente adotadas. Do lado das empresas, a lógica de se reduzir na fonte, reusar e reciclar não é colocada em prática. “Participação e controle social são fundamentais para alcançar as metas relacionadas, mas impera uma omissão popular”, destaca Pereira.

“Se toda a sociedade não mudar, nosso mundo não será mais propício para a vida humana. A gestão de resíduos deve ser efetivada e instrumentalizada nas leis orçamentárias, políticas e demais meios de fomento público. E a população precisa cobrar das empresas uma mudança de atitudes e dos governos que abracem a ideia de fato”, finaliza.