Publicado na 16 de setembro de 2015

A perspectiva de um mundo cada vez mais repleto de e-lixo já é realidade, afirma André Luiz Pereira, coautor de “Logística Reversa e Sustentabilidade”, da Cengage Learning.

O problema do crescimento do volume de lixo eletrônico é ascendente. Até 2017, serão geradas mais de 65 milhões de toneladas desse tipo de resíduo, também conhecido como e-lixo, avalia estudo recente produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para o administrador André Luiz Pereira, coautor do livro Logística Reversa e Sustentabilidade, publicado pela Cengage Learning, o assunto precisa ser tratado com urgência.

Quando pensamos na nossa escala particular ou no que deixamos esquecidos em gavetas – como celulares abandonados, controles remotos, câmeras antigas, entre outros –, a questão não parece relevante. “Somando as poucas quantidades individuais, chegamos a um volume que não pode deixar de ser considerado. Para o futuro, esperamos um aumento do volume de REE (Resíduos Eletroeletrônicos) e, por consequência, o impacto ambiental disso”, afirma Pereira, que é Doutorando em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pela Technische Universität München, da Alemanha.

Seja por questões de obsolescência técnica, planejada ou percebida, bem como o próprio consumo, a perspectiva de um mundo cada vez mais repleto de resíduos está diante de toda a sociedade. “Países pobres da África e Ásia têm sido destino de descarte de e-lixo proveniente de partes mais ricas e consumistas do globo. Os REE são exemplo também da assimetria do nível de consumo”, diz. “Ao passo em que cresce a demanda por produtos eletroeletrônicos, escasseamos ainda mais as reservas naturais para fabricá-los”. Segundo Pereira, ainda assim o preço da matéria-prima bruta – já limitada em quantidade – é mais barata que o da reciclada. Isso desestimula a reciclagem, mas essa equação poderá se inverter no futuro.

Segundo o autor, o consumo consciente é uma medida importante para a diminuição do volume de lixo eletroeletrônico produzido. Isso significa escolher os itens de maneira mais racional e segundo a maior durabilidade, conforme a real necessidade. “Enquanto consumir for uma forma de compensação emocional e status, iremos usar cada vez mais recursos naturais. Nosso destino está selado às decisões individuais e coletivas que tomamos”, finaliza.